A insuficiência mitral é a valvopatia mais comum no mundo ocidental, acometendo mais de 9% da população acima de 75 anos. Como sua incidência aumenta com o envelhecimento da população, é esperado que nas próximas décadas ocorra um aumento importante de pacientes portadores de insuficiência mitral que necessitem de internação ou intervenção. A insuficiência mitral não tratada ou tratada tardiamente impacta negativamente na morbidade e na mortalidade dos pacientes. Realizar o diagnóstico rapidamente e de maneira correta, e intervir de maneira precoce, podem modificar o curso natural da doença. No entanto, pelo fato de sua incidência aumentar com o envelhecimento, muitos pacientes com insuficiência mitral não são bons candidatos ao tratamento cirúrgico convencional devido ao risco operatório elevado. O tratamento percutâneo da insuficiência mitral se desenvolveu e tem ganhado espaço na Cardiologia contemporânea como alternativa segura e factível para esse grupo de pacientes, com abordagem minimamente invasiva e bons resultados. Atualmente, o tratamento percutâneo da insuficiência mitral está indicado em casos selecionados de insuficiência mitral primária, secundária ou por disfunção de prótese ou anel cirúrgico. Dentre as modalidades disponíveis para tratamento percutâneo, os mais utilizados ao redor do mundo e atualmente disponíveis no Brasil são o reparo valvar mitral com dispositivo Mitraclip e o implante percutâneo de valva mitral em pacientes com disfunção de bioprótese ou anel (‘’Valve in Valve’’ e ”Valve in Ring”, respectivamente) ou em valvas nativas com calcificação anular mitral ( ‘’Valve in MAC’’), que serão o foco deste capítulo. Além disso, como perspectivas futuras, há o implante de dispositivos percutâneos de anel e de cordas artificiais. O sucesso da intervenção percutânea depende da indicação clínica precisa, da avaliação pré-procedimento completa para definir a factibilidade e escolher a estratégia a ser adotada, do intervencionista que realizará o procedimento e dos cuidados clínicos após a intervenção.
Tratamento percutâneo da insuficiência mitral / Garzon, S; Gfa, Prado; Lemos, Pa; Jatene, Ib; Ferreira, Jf; Drager, Lf; Franken, M; Moretti, Ma. - (2022), pp. 956-961.
Tratamento percutâneo da insuficiência mitral
Prado GFASecondo
;
2022
Abstract
A insuficiência mitral é a valvopatia mais comum no mundo ocidental, acometendo mais de 9% da população acima de 75 anos. Como sua incidência aumenta com o envelhecimento da população, é esperado que nas próximas décadas ocorra um aumento importante de pacientes portadores de insuficiência mitral que necessitem de internação ou intervenção. A insuficiência mitral não tratada ou tratada tardiamente impacta negativamente na morbidade e na mortalidade dos pacientes. Realizar o diagnóstico rapidamente e de maneira correta, e intervir de maneira precoce, podem modificar o curso natural da doença. No entanto, pelo fato de sua incidência aumentar com o envelhecimento, muitos pacientes com insuficiência mitral não são bons candidatos ao tratamento cirúrgico convencional devido ao risco operatório elevado. O tratamento percutâneo da insuficiência mitral se desenvolveu e tem ganhado espaço na Cardiologia contemporânea como alternativa segura e factível para esse grupo de pacientes, com abordagem minimamente invasiva e bons resultados. Atualmente, o tratamento percutâneo da insuficiência mitral está indicado em casos selecionados de insuficiência mitral primária, secundária ou por disfunção de prótese ou anel cirúrgico. Dentre as modalidades disponíveis para tratamento percutâneo, os mais utilizados ao redor do mundo e atualmente disponíveis no Brasil são o reparo valvar mitral com dispositivo Mitraclip e o implante percutâneo de valva mitral em pacientes com disfunção de bioprótese ou anel (‘’Valve in Valve’’ e ”Valve in Ring”, respectivamente) ou em valvas nativas com calcificação anular mitral ( ‘’Valve in MAC’’), que serão o foco deste capítulo. Além disso, como perspectivas futuras, há o implante de dispositivos percutâneos de anel e de cordas artificiais. O sucesso da intervenção percutânea depende da indicação clínica precisa, da avaliação pré-procedimento completa para definir a factibilidade e escolher a estratégia a ser adotada, do intervencionista que realizará o procedimento e dos cuidados clínicos após a intervenção.I documenti in IRIS sono protetti da copyright e tutti i diritti sono riservati, salvo diversa indicazione.


